Opinião

06 mai 22 | 20h39

“Tô sentado à beira de um caminho que não tem mais fim” - Erasmo Carlos.

“Tô sentado à beira de um caminho que não tem mais fim” - Erasmo Carlos.
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Que me perdoem os fãs de Erasmos Carlos, mas a citação de um trecho da linda música do artista neste texto, que falará sobre alguns temas pouco agradáveis, é pertinente.


É exatamente assim que alguns de nós se sente, estagnados e sem um rumo claro de para onde seguir, sem saber exato, o que futuro próximo nos reserva. A percepção de que as coisas não devem melhorar a curto prazo se dá pelos dias difíceis que vivemos, dias de pandemia de Covid, que oscilam entre a sensação de tudo sob controle e as notícias de surgimento de novas cepas, a inflação que não dá trégua, os combustíveis à beira da insustentabilidade, até uma epidemia de dengue resolveu dar as caras, têm a guerra entre Rússia e Ucrânia, a crise institucionalizada na política brasileira e ainda, teremos eleições este ano, e aí você sabe, tudo fica para segundo plano, as crises, as urgências, a saúde, a inflação, o desemprego, pois o foco passa a ser o próprio umbigo.


Essa sentença, que vivemos dias turvos, pode até soar pesado para alguns, para a maioria bem informada e politizada, faz todo sentido. Para qualquer lado que voltamos os olhos, vamos perceber que o mundo está flertando perigosamente com a beira do abismo, e como diria Nietzsche. Filósofo alemão do século XIX. “Quando você olha por muito tempo para um abismo o abismo também olha para dentro de você."


Vivemos uma profunda recessão para além da econômica, a de valores institucionais e morais. Há uma linha tênue entre os cenários, da “normalidade” e o cenário onde o conflito entre Rússia e “Ucrânia” se prolonga ou escala para uma guerra com proporções catastróficas porque não dizer, nuclear, acredito que vontade não falte, o que falta é coragem de arcar com as consequências. Fato que o mundo se equilibra em uma corda bamba neste momento, basta um empurrãozinho dos que ditam as diretrizes do planeta, para que uma possibilidade ou outra se torne realidade.


Aqui em terras tupiniquins, na data de 04 de maio recebemos a notícia de mais um aumento na taxa Selic. ​A Selic é a taxa básica de juros da economia. Ela influencia todas as taxas de juros do país, como as taxas de juros dos empréstimos, dos financiamentos e das aplicações financeiras. É a 10° alta seguida da Selic, a meta é de 12,75% ao ano, o objetivo é claro, conter a escada da inflação.


Outra reportagem que me chamou a atenção, na mesma manhã, foi a que o real perdeu 30% do poder de compra em 5 anos, ora, isso sendo muito brando e até meio otimista, pois na prática, no dia a dia a coisa é bem pior, garantir uma alimentação minimamente desejável, digo o básico do dia a dia, sem muitos luxos, se tornou uma tarefa para malabaristas. Esse é o termo, nunca foi tão necessário saber equilibrar os gastos.


Os automóveis estão caríssimos, os carros novos abaixo dos 100 mil reais se contam nos dedos, o mercado de usados também acompanhou essa valorização. Mas o pior disso é que as concessionárias acumulam filas de compradores. A pandemia da Covid 19 fez com que este mercado enlouquecesse, mas cá para nós, o que regula o mercado é a oferta e demanda, então, enquanto tiver gente disposta a pagar 100 mil a mais por um carro que no final de 2019 custava 150 mil, as montadoras seguirão com suas políticas de preço e o farão com um sorriso no rosto.


Já que falamos de carros, a Petrobrás bate recordes de reajuste nos preços dos combustíveis, justificando pelo aumento do barril de petróleo no mercado externo e a variação do dólar, fatos esses que por sua vez tem origem no conflito entre Rússia e Ucrânia. Aliás, os reais efeitos da guerra, nem começaram a chegar até aqui efetivamente, dizem os especialistas.


Mas a inflação e alto custo de vida não é um privilégio brasileiro. Em 16 de março, o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidoselevou a taxa de juros do país, chegando a 0,50%. Esse foi o primeiro aumento desde 2018. Apesar disso, ainda existe a expectativa de que a taxa de juros passe por mais seis revisões até o fim deste ano. Isso sem citar Europa que vive bem de perto os efeitos do conflito no leste europeu.


Meu objetivo aqui não é disseminar negativismo, vitimíssimo, muito menos apontar culpados para o momento atual. Se fizermos uma análise criteriosa, ouvirmos especialistas, vamos chegar a algumas conclusões. A pandemia deu o start na crise, a culpa é do conflito entre Rússia e Ucrânia, os governos isso ou aquilo e assim por diante, não vamos entrar neste mérito.


Resumindo, os fatos estão aí, mas o que importa saber é como vamos reagir diante do que está acontecendo, porque ninguém vai nos dar nada, ninguém vai nos pagar um conta sequer ao final do mês, não importa o que aconteça no futuro, importa é como nos comportamos diante do que aconteceu.


Mas e aí você vai fazer o quê? Ficar de braços cruzados, criticando o governo, reclamando, apontando esse ou aquela culpado, ou pior esperando as esmolas do governo? Vai esperar uma saída milagrosa cair do céu?


Ou, vai arregaçar as mangas, vai estufar o peito, vai fazer a parte que te compete para mudar o mundo, mudando alguns hábitos, especialmente a forma de pensar, feito isso, iniciarem um processo de transformação da realidade à nossa volta. É preciso trabalhar firme mantendo o discernimento e a clareza na tomada de decisões, assim as alternativas começam a aparecer e as crises vão uma a uma se dissipando.


O ponto é este meu amigo, não importa o que aconteça adiante, não podemos ficar sentados chorando a beira do caminho, precisamos seguir caminhando, firmes e fortes, aconteça o que acontecer. 

Adriel Gonçalves
Cotidiano

06 mai 22 | 20h39 Por Adriel Gonçalves

“Tô sentado à beira de um caminho que não tem mais fim” - Erasmo Carlos.

“Tô sentado à beira de um caminho que não tem mais fim” - Erasmo Carlos.

Que me perdoem os fãs de Erasmos Carlos, mas a citação de um trecho da linda música do artista neste texto, que falará sobre alguns temas pouco agradáveis, é pertinente.


É exatamente assim que alguns de nós se sente, estagnados e sem um rumo claro de para onde seguir, sem saber exato, o que futuro próximo nos reserva. A percepção de que as coisas não devem melhorar a curto prazo se dá pelos dias difíceis que vivemos, dias de pandemia de Covid, que oscilam entre a sensação de tudo sob controle e as notícias de surgimento de novas cepas, a inflação que não dá trégua, os combustíveis à beira da insustentabilidade, até uma epidemia de dengue resolveu dar as caras, têm a guerra entre Rússia e Ucrânia, a crise institucionalizada na política brasileira e ainda, teremos eleições este ano, e aí você sabe, tudo fica para segundo plano, as crises, as urgências, a saúde, a inflação, o desemprego, pois o foco passa a ser o próprio umbigo.


Essa sentença, que vivemos dias turvos, pode até soar pesado para alguns, para a maioria bem informada e politizada, faz todo sentido. Para qualquer lado que voltamos os olhos, vamos perceber que o mundo está flertando perigosamente com a beira do abismo, e como diria Nietzsche. Filósofo alemão do século XIX. “Quando você olha por muito tempo para um abismo o abismo também olha para dentro de você."


Vivemos uma profunda recessão para além da econômica, a de valores institucionais e morais. Há uma linha tênue entre os cenários, da “normalidade” e o cenário onde o conflito entre Rússia e “Ucrânia” se prolonga ou escala para uma guerra com proporções catastróficas porque não dizer, nuclear, acredito que vontade não falte, o que falta é coragem de arcar com as consequências. Fato que o mundo se equilibra em uma corda bamba neste momento, basta um empurrãozinho dos que ditam as diretrizes do planeta, para que uma possibilidade ou outra se torne realidade.


Aqui em terras tupiniquins, na data de 04 de maio recebemos a notícia de mais um aumento na taxa Selic. ​A Selic é a taxa básica de juros da economia. Ela influencia todas as taxas de juros do país, como as taxas de juros dos empréstimos, dos financiamentos e das aplicações financeiras. É a 10° alta seguida da Selic, a meta é de 12,75% ao ano, o objetivo é claro, conter a escada da inflação.


Outra reportagem que me chamou a atenção, na mesma manhã, foi a que o real perdeu 30% do poder de compra em 5 anos, ora, isso sendo muito brando e até meio otimista, pois na prática, no dia a dia a coisa é bem pior, garantir uma alimentação minimamente desejável, digo o básico do dia a dia, sem muitos luxos, se tornou uma tarefa para malabaristas. Esse é o termo, nunca foi tão necessário saber equilibrar os gastos.


Os automóveis estão caríssimos, os carros novos abaixo dos 100 mil reais se contam nos dedos, o mercado de usados também acompanhou essa valorização. Mas o pior disso é que as concessionárias acumulam filas de compradores. A pandemia da Covid 19 fez com que este mercado enlouquecesse, mas cá para nós, o que regula o mercado é a oferta e demanda, então, enquanto tiver gente disposta a pagar 100 mil a mais por um carro que no final de 2019 custava 150 mil, as montadoras seguirão com suas políticas de preço e o farão com um sorriso no rosto.


Já que falamos de carros, a Petrobrás bate recordes de reajuste nos preços dos combustíveis, justificando pelo aumento do barril de petróleo no mercado externo e a variação do dólar, fatos esses que por sua vez tem origem no conflito entre Rússia e Ucrânia. Aliás, os reais efeitos da guerra, nem começaram a chegar até aqui efetivamente, dizem os especialistas.


Mas a inflação e alto custo de vida não é um privilégio brasileiro. Em 16 de março, o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidoselevou a taxa de juros do país, chegando a 0,50%. Esse foi o primeiro aumento desde 2018. Apesar disso, ainda existe a expectativa de que a taxa de juros passe por mais seis revisões até o fim deste ano. Isso sem citar Europa que vive bem de perto os efeitos do conflito no leste europeu.


Meu objetivo aqui não é disseminar negativismo, vitimíssimo, muito menos apontar culpados para o momento atual. Se fizermos uma análise criteriosa, ouvirmos especialistas, vamos chegar a algumas conclusões. A pandemia deu o start na crise, a culpa é do conflito entre Rússia e Ucrânia, os governos isso ou aquilo e assim por diante, não vamos entrar neste mérito.


Resumindo, os fatos estão aí, mas o que importa saber é como vamos reagir diante do que está acontecendo, porque ninguém vai nos dar nada, ninguém vai nos pagar um conta sequer ao final do mês, não importa o que aconteça no futuro, importa é como nos comportamos diante do que aconteceu.


Mas e aí você vai fazer o quê? Ficar de braços cruzados, criticando o governo, reclamando, apontando esse ou aquela culpado, ou pior esperando as esmolas do governo? Vai esperar uma saída milagrosa cair do céu?


Ou, vai arregaçar as mangas, vai estufar o peito, vai fazer a parte que te compete para mudar o mundo, mudando alguns hábitos, especialmente a forma de pensar, feito isso, iniciarem um processo de transformação da realidade à nossa volta. É preciso trabalhar firme mantendo o discernimento e a clareza na tomada de decisões, assim as alternativas começam a aparecer e as crises vão uma a uma se dissipando.


O ponto é este meu amigo, não importa o que aconteça adiante, não podemos ficar sentados chorando a beira do caminho, precisamos seguir caminhando, firmes e fortes, aconteça o que acontecer.