Opinião

23 ago 21 | 13h11

O teor das músicas atuais te agrada?

O teor das músicas atuais te agrada?
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Se foi o tempo dos poetas, das músicas que faziam bem para a alma ao mesmo tempo que nos faziam refletir, faziam sentido pelas letras inteligentes e arranjos ricos e bem feitos. Bom pelo menos no rádio não os ouvimos mais (as exceções são raras). Esse tema é polêmico pois trata de gostos musicais, gosto não se discute, gosto se respeita e não farei juízo de valor sobre o gosto musical de ninguém, mas que dá uma saudade de ligar o rádio e curtir um som que fuja do senso comum, a isso dá, que não se limite a um consenso comercial. Músicas maravilhosas já foram compostas por grandes nomes da música nacional e internacional, que sentavam para compor e traziam para a canção as percepções do mundo dos afetos, do amor, das situações políticas, das dores do mundo e das relações humanas com a natureza, mas com um nível de sensibilidade e até inspirados, chancelados por grandes autores que liam, grandes poetas, grandes escritores, afinando assim seus talentos e transformando aqueles temas, em arte.


O perfil musical que domina o cenário da música brasileira, obviamente agrada muita gente, senão não teria a demanda que tem. O Brasil inteiro consome, as rádios tocam os hits quase o tempo todo, os shows que mais vendem são de artistas intitulados sertanejos, toda indústria musical se adaptou a este perfil musical do sertanejo moderno, digamos assim.


Como contexto cultural e de forma bem resumida, podemos falar que essa cena musical iniciou na metade da década de 90, com o surgimento do chamado Sertanejo Universitário. inicialmente com músicas sertanejas tradicionais em arranjos mais modernos, cantada por universitários até de forma meio amadora, voz e violão de forma acústica e dentro de festas em faculdades. Mas não demorou para essa “modernizada” das músicas sertanejas tradicionais começarem a fazer sucesso fora dos muros das faculdades. E logo na sequência duplas como João Bosco e Vinícius e Cesar Menotti e Fabiano emergirem com composições próprias e com um sucesso estrondoso, estourando nas rádios de todo o país.


Mas o que me incomoda e tenho certeza que muita gente compartilha desta opinião, são os temos abordados, pela geração atual dos sertanejos pop, me incomoda a recorrência em falar sempre das mesmas coisas. Já deixo claro que não tenho nada contra o sertanejo, até gosto dos sertanejos clássicos, assim como gosto de rock e gosto de música nativista gaúcha, mas a minha angústia se dá com os temas retratados pelos “sertanejos atuais”.


Por que as músicas do sertanejo contemporâneo têm as letras que tem? Porque são pautadas em temas tão rasos? Parecem seguir uma fórmula, festa e bebedeira, sexo fácil, traição, pé na bunda e ostentação, com raras exceções os temas fogem dessa linha “dessa fórmula”?

Será que as relações humanas se resumem atualmente a isso? Digo as músicas são um retrato do que é a sociedade hoje em dia? Imagino que não. Mas porque a música se resume a isso então, essa coisa jocosa e entediante? Ou porque insistimos em só tocar isso?


Você pode me dizer, olha Adriel o mundo mudou vivemos outros tempos, os conflitos políticos o romantismo e as dores do mundo não devem ser levados para a música, as pessoas querem viver de forma mais leve, as pessoas querem se divertir e ouvir algo animado e energizante.


É preciso separar as coisas, afinal de contas, o momento do happy hour, a hora feliz, um momento de escape, o momento de relaxar é importante pois a vida não se resume a trabalhar e pagar contas. Diria até fundamental para a saúde mental das pessoas, uma cidade que não tem uma vida noturna agitada é uma cidade pobre. Mas o foco não está nisso, e sim nos artistas que só se utilizam desses artifícios para compor, os temas que não saem das mesas do bar ou das conturbadas relações entre casais, das traições e da ostentação? Afinal de contas não importa o momento ou situação, bom gosto e bom senso não saem de moda.


Como disse o filósofo e matemático Francês Blaise Pascal. “O ser humano pode pela sua mente abarcar o infinito “. Ou seja, se ao pensar podemos criar tudo que existe, se tudo nasce na mente, ao pensar, a pergunta é. Os compositores estão pensando pouco, ou, as influências que os fazem produzir suas músicas é que são pobres mesmo? Porque cargas d’agua a música não consegue sair desse ciclo vicioso?


Tem alternativas para quem quer ouvir outros estilos musicais, claro que sim. O bom e velho Rock and Roll, o Pop Rock, o Rap, o Reggae, Jazz, a Mpb, o Eletrônico, o Sertanejo raiz, a música Gaúcha e a Nativista, enfim, você pode colocar no teu pendrive a música e o estilo musical que você quiser. Pode fazer uma seleção no Spotfy de qualquer estilo e ouvir o dia todo.

Mas e no rádio, você consegue ligar o rádio e ouvir uma música que fuja do senso comum? E quando digo isso não estou me limitando as rádios só da nossa cidade, pois se tu analisares até grandes redes de rádios nacionais estão migrando para esse perfil do sertanejo atual, a fim de continuar se mantendo enquanto empresas, pagar as contas e continuar existindo mesmo. Em Concórdia dá para contar nos dedos a rádio que fogem a tal da fórmula comercial.


Algumas rádios se aventuram com perfis musicais alternativos, a própria Rádio Aliança FM, como exemplo, tem em diversos horários específicos espaços para outros estilos musicais, para ouvintes que não abrem mão de ouvir sons com outras abordagens, mas como disse é a exceção. E isso implica em uma reflexão continua de como será o futuro da música e do próprio rádio.


O Pop, a Mpb, o Rock e outros estilos, não deixaram de existir, mas perderam espaço no rádio em nome de um entendimento que o que a grande maioria das pessoas querem ouvir é o sertanejo atual, será mesmo? Será que queremos que nossos filhos cresçam ouvindo o que essas músicas retratam? Ou, nós enquanto programadores das rádios não estamos retroalimentando nosso público ouvinte com o mais do mesmo, educando-os a gostar só daquilo que ofertamos.


Músicas ruins há em todos os estilos musicais, músicas boas também e em última instância cabe a nós escolher que tipo de músicas podemos oferecer ao nosso público. Se talvez fossemos um pouco mais criteriosos nas escolhas do que tocar, do teor dessas músicas, será que já não oxigenaríamos o rádio?

Por fim, sempre caberá a você ouvir o que te faz bem, independente do estilo.

Adriel Gonçalves
Cotidiano

23 ago 21 | 13h11 Por Adriel Gonçalves

O teor das músicas atuais te agrada?

O teor das músicas atuais te agrada?

Se foi o tempo dos poetas, das músicas que faziam bem para a alma ao mesmo tempo que nos faziam refletir, faziam sentido pelas letras inteligentes e arranjos ricos e bem feitos. Bom pelo menos no rádio não os ouvimos mais (as exceções são raras). Esse tema é polêmico pois trata de gostos musicais, gosto não se discute, gosto se respeita e não farei juízo de valor sobre o gosto musical de ninguém, mas que dá uma saudade de ligar o rádio e curtir um som que fuja do senso comum, a isso dá, que não se limite a um consenso comercial. Músicas maravilhosas já foram compostas por grandes nomes da música nacional e internacional, que sentavam para compor e traziam para a canção as percepções do mundo dos afetos, do amor, das situações políticas, das dores do mundo e das relações humanas com a natureza, mas com um nível de sensibilidade e até inspirados, chancelados por grandes autores que liam, grandes poetas, grandes escritores, afinando assim seus talentos e transformando aqueles temas, em arte.


O perfil musical que domina o cenário da música brasileira, obviamente agrada muita gente, senão não teria a demanda que tem. O Brasil inteiro consome, as rádios tocam os hits quase o tempo todo, os shows que mais vendem são de artistas intitulados sertanejos, toda indústria musical se adaptou a este perfil musical do sertanejo moderno, digamos assim.


Como contexto cultural e de forma bem resumida, podemos falar que essa cena musical iniciou na metade da década de 90, com o surgimento do chamado Sertanejo Universitário. inicialmente com músicas sertanejas tradicionais em arranjos mais modernos, cantada por universitários até de forma meio amadora, voz e violão de forma acústica e dentro de festas em faculdades. Mas não demorou para essa “modernizada” das músicas sertanejas tradicionais começarem a fazer sucesso fora dos muros das faculdades. E logo na sequência duplas como João Bosco e Vinícius e Cesar Menotti e Fabiano emergirem com composições próprias e com um sucesso estrondoso, estourando nas rádios de todo o país.


Mas o que me incomoda e tenho certeza que muita gente compartilha desta opinião, são os temos abordados, pela geração atual dos sertanejos pop, me incomoda a recorrência em falar sempre das mesmas coisas. Já deixo claro que não tenho nada contra o sertanejo, até gosto dos sertanejos clássicos, assim como gosto de rock e gosto de música nativista gaúcha, mas a minha angústia se dá com os temas retratados pelos “sertanejos atuais”.


Por que as músicas do sertanejo contemporâneo têm as letras que tem? Porque são pautadas em temas tão rasos? Parecem seguir uma fórmula, festa e bebedeira, sexo fácil, traição, pé na bunda e ostentação, com raras exceções os temas fogem dessa linha “dessa fórmula”?

Será que as relações humanas se resumem atualmente a isso? Digo as músicas são um retrato do que é a sociedade hoje em dia? Imagino que não. Mas porque a música se resume a isso então, essa coisa jocosa e entediante? Ou porque insistimos em só tocar isso?


Você pode me dizer, olha Adriel o mundo mudou vivemos outros tempos, os conflitos políticos o romantismo e as dores do mundo não devem ser levados para a música, as pessoas querem viver de forma mais leve, as pessoas querem se divertir e ouvir algo animado e energizante.


É preciso separar as coisas, afinal de contas, o momento do happy hour, a hora feliz, um momento de escape, o momento de relaxar é importante pois a vida não se resume a trabalhar e pagar contas. Diria até fundamental para a saúde mental das pessoas, uma cidade que não tem uma vida noturna agitada é uma cidade pobre. Mas o foco não está nisso, e sim nos artistas que só se utilizam desses artifícios para compor, os temas que não saem das mesas do bar ou das conturbadas relações entre casais, das traições e da ostentação? Afinal de contas não importa o momento ou situação, bom gosto e bom senso não saem de moda.


Como disse o filósofo e matemático Francês Blaise Pascal. “O ser humano pode pela sua mente abarcar o infinito “. Ou seja, se ao pensar podemos criar tudo que existe, se tudo nasce na mente, ao pensar, a pergunta é. Os compositores estão pensando pouco, ou, as influências que os fazem produzir suas músicas é que são pobres mesmo? Porque cargas d’agua a música não consegue sair desse ciclo vicioso?


Tem alternativas para quem quer ouvir outros estilos musicais, claro que sim. O bom e velho Rock and Roll, o Pop Rock, o Rap, o Reggae, Jazz, a Mpb, o Eletrônico, o Sertanejo raiz, a música Gaúcha e a Nativista, enfim, você pode colocar no teu pendrive a música e o estilo musical que você quiser. Pode fazer uma seleção no Spotfy de qualquer estilo e ouvir o dia todo.

Mas e no rádio, você consegue ligar o rádio e ouvir uma música que fuja do senso comum? E quando digo isso não estou me limitando as rádios só da nossa cidade, pois se tu analisares até grandes redes de rádios nacionais estão migrando para esse perfil do sertanejo atual, a fim de continuar se mantendo enquanto empresas, pagar as contas e continuar existindo mesmo. Em Concórdia dá para contar nos dedos a rádio que fogem a tal da fórmula comercial.


Algumas rádios se aventuram com perfis musicais alternativos, a própria Rádio Aliança FM, como exemplo, tem em diversos horários específicos espaços para outros estilos musicais, para ouvintes que não abrem mão de ouvir sons com outras abordagens, mas como disse é a exceção. E isso implica em uma reflexão continua de como será o futuro da música e do próprio rádio.


O Pop, a Mpb, o Rock e outros estilos, não deixaram de existir, mas perderam espaço no rádio em nome de um entendimento que o que a grande maioria das pessoas querem ouvir é o sertanejo atual, será mesmo? Será que queremos que nossos filhos cresçam ouvindo o que essas músicas retratam? Ou, nós enquanto programadores das rádios não estamos retroalimentando nosso público ouvinte com o mais do mesmo, educando-os a gostar só daquilo que ofertamos.


Músicas ruins há em todos os estilos musicais, músicas boas também e em última instância cabe a nós escolher que tipo de músicas podemos oferecer ao nosso público. Se talvez fossemos um pouco mais criteriosos nas escolhas do que tocar, do teor dessas músicas, será que já não oxigenaríamos o rádio?

Por fim, sempre caberá a você ouvir o que te faz bem, independente do estilo.