Opinião

20 mar 21 | 15h43

A vida é preciosa porque é finita

A vida é preciosa porque é finita
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A conscientização do sentido da vida em meio a tantas perdas 


Acordei de luto. Cada um reage de forma diferente diante desse sentimento, vou dizer como o percebo, num sentido de tentar traçar uma vaga ideia de compreensão, posso dizer que o luto é a própria falta, é o vazio, é a ruptura pela perca, é um enorme buraco negro emerso em dor e desconsolo, pela vida ora em convívio, que derrepente lhe é arrancada de súbito. Toda vez que nos aproximamos desse sentimento, de luto, somos assombrados pelo medo e buscamos ressignificar nossa existência, com a busca por valores que valem a pena ser cultivados.


Quero frisar que esse luto que sinto não é próprio, mas empático, é um profundo pesar por todas as vidas perdidas nesta pandemia até agora. São amigos, familiares, conhecidos ou estranhos, enfim são pessoas, são mais de 287.000 mortos só no Brasil, e não merecem ser tratados só como números, são pessoas que deixaram pelo caminho famílias, trabalhos, projetos, planos, valores e ideais, tendo suas vidas abreviadas pela mortalidade do vírus. Não podemos ver nestes gráficos crescentes espaço para uma adaptação hedónica, isto é, não podemos permitir que nossa capacidade de se adaptar a situações extremamente boas ou ruins se dê valia, não pode virar rotina, ver tantas pessoas morrendo e correr o risco de achar isso trivial.


A vida é preciosa porque é frágil, é finita e única. Quando uma adversidade tão grande quanto a pandemia ceifa vidas com tal facilidade sem distinção de gênero, idade e condição social, utilizando-se de tamanha violência a ponto de não podermos nos despedir dos nossos entes de forma adequada, isso nos espanta, impacta, causando um enorme desconforto, legitimado pela própria dor ou pela dor do outro. 


E esse incômodo deve promover uma análise profunda sobre os sentidos da vida. Logo devemos desacelerar do nosso ritmo frenético e vicioso do dia a dia, e ponderar sobre o que consideramos importante, e quais valores realmente nos aproximam da felicidade, nos dando ganho de vida e promovendo um bem estar familiar e social, oportunizando ações de valorização da vida.


E quais sentimentos e valores nutrimos que são frugais, rasos e não nos damos conta, pois estamos encharcados, mergulhados até o pescoço nos objetivos mesquinhos, egoístas e que nessas horas emergem do lamaçal da nossa zona de conforto, e nos fazem perceber como jogamos tanto tempo fora com coisas banais. 


Porém, temos agora uma real oportunidade de compreensão do que vale a pena ou não. Se o teu sentido de vida se dá pelo fortalecimento da fé, o faça. Ore, reze, reflita, fortaleça teu lado espiritual e se aproxime de Deus. Se a vida faz sentido pra ti na família, valorize-a, cuide dos filhos ame seus cônjuges, destine um espaço de tempo ideal para cada um. Agora, se a vida no teu ponto de vista está no amor, viva - o intensamente como se não houvesse amanhã, melhor ainda, faça tudo aquilo que encha teu coração de felicidade e valide cada momento vivido.


A vida acontece no agora. Ela não está no passado nas ações que fizemos ou deixamos de fazer, e nem tão pouco no futuro, onde tudo que temos são esboços de planos e metas, que podem se concretizar ou não. A vida flui no agora. Como trata o conceito do filósofo alemão, Friedrich Nietzsche, no eterno retorno. A vida acontece no instante que é vivida, pois o instante de vida bem aproveitado tende a repetir-se mesmo que seja em uma boa lembrança de algo que valeu por si, pois entregou ali todo valor a que se propôs. Busque na sua memória todos os bons momentos que com certeza você os repetiria se tivesse oportunidade de tão bons e bem vividos que foram. Aquela viagem, o abraço terno, um amor, um jantar inesquecível, um livro ouvindo a chuva, um bom papo com amigo, uma pizza regada com boas risadas e vinho tinto, enfim, os exemplos são vários, porque em cada um desses momentos é possível ser feliz, e ser feliz é um dos grandes motivos de estarmos aqui, certamente um dos grandes sentidos da vida.


Emane empatia, respeito e amor, talvez esse último como diria o Filósofo Luc Ferry, “o amor, seja o mais denso e absoluto dos sentimentos de hoje em dia”. Quem sabe assim cheios de amor nos conscientizamos que temos que nos cuidar e assim proteger o próximo, e sabendo que o outro compartilha da mesma centelha divina que minha, estaremos todos imbuídos por um sentimento de proteção mútua e valorização da vida enquanto tal.

Adriel Gonçalves
Cotidiano

20 mar 21 | 15h43 Por Adriel Gonçalves

A vida é preciosa porque é finita

A vida é preciosa porque é finita


A conscientização do sentido da vida em meio a tantas perdas 


Acordei de luto. Cada um reage de forma diferente diante desse sentimento, vou dizer como o percebo, num sentido de tentar traçar uma vaga ideia de compreensão, posso dizer que o luto é a própria falta, é o vazio, é a ruptura pela perca, é um enorme buraco negro emerso em dor e desconsolo, pela vida ora em convívio, que derrepente lhe é arrancada de súbito. Toda vez que nos aproximamos desse sentimento, de luto, somos assombrados pelo medo e buscamos ressignificar nossa existência, com a busca por valores que valem a pena ser cultivados.


Quero frisar que esse luto que sinto não é próprio, mas empático, é um profundo pesar por todas as vidas perdidas nesta pandemia até agora. São amigos, familiares, conhecidos ou estranhos, enfim são pessoas, são mais de 287.000 mortos só no Brasil, e não merecem ser tratados só como números, são pessoas que deixaram pelo caminho famílias, trabalhos, projetos, planos, valores e ideais, tendo suas vidas abreviadas pela mortalidade do vírus. Não podemos ver nestes gráficos crescentes espaço para uma adaptação hedónica, isto é, não podemos permitir que nossa capacidade de se adaptar a situações extremamente boas ou ruins se dê valia, não pode virar rotina, ver tantas pessoas morrendo e correr o risco de achar isso trivial.


A vida é preciosa porque é frágil, é finita e única. Quando uma adversidade tão grande quanto a pandemia ceifa vidas com tal facilidade sem distinção de gênero, idade e condição social, utilizando-se de tamanha violência a ponto de não podermos nos despedir dos nossos entes de forma adequada, isso nos espanta, impacta, causando um enorme desconforto, legitimado pela própria dor ou pela dor do outro. 


E esse incômodo deve promover uma análise profunda sobre os sentidos da vida. Logo devemos desacelerar do nosso ritmo frenético e vicioso do dia a dia, e ponderar sobre o que consideramos importante, e quais valores realmente nos aproximam da felicidade, nos dando ganho de vida e promovendo um bem estar familiar e social, oportunizando ações de valorização da vida.


E quais sentimentos e valores nutrimos que são frugais, rasos e não nos damos conta, pois estamos encharcados, mergulhados até o pescoço nos objetivos mesquinhos, egoístas e que nessas horas emergem do lamaçal da nossa zona de conforto, e nos fazem perceber como jogamos tanto tempo fora com coisas banais. 


Porém, temos agora uma real oportunidade de compreensão do que vale a pena ou não. Se o teu sentido de vida se dá pelo fortalecimento da fé, o faça. Ore, reze, reflita, fortaleça teu lado espiritual e se aproxime de Deus. Se a vida faz sentido pra ti na família, valorize-a, cuide dos filhos ame seus cônjuges, destine um espaço de tempo ideal para cada um. Agora, se a vida no teu ponto de vista está no amor, viva - o intensamente como se não houvesse amanhã, melhor ainda, faça tudo aquilo que encha teu coração de felicidade e valide cada momento vivido.


A vida acontece no agora. Ela não está no passado nas ações que fizemos ou deixamos de fazer, e nem tão pouco no futuro, onde tudo que temos são esboços de planos e metas, que podem se concretizar ou não. A vida flui no agora. Como trata o conceito do filósofo alemão, Friedrich Nietzsche, no eterno retorno. A vida acontece no instante que é vivida, pois o instante de vida bem aproveitado tende a repetir-se mesmo que seja em uma boa lembrança de algo que valeu por si, pois entregou ali todo valor a que se propôs. Busque na sua memória todos os bons momentos que com certeza você os repetiria se tivesse oportunidade de tão bons e bem vividos que foram. Aquela viagem, o abraço terno, um amor, um jantar inesquecível, um livro ouvindo a chuva, um bom papo com amigo, uma pizza regada com boas risadas e vinho tinto, enfim, os exemplos são vários, porque em cada um desses momentos é possível ser feliz, e ser feliz é um dos grandes motivos de estarmos aqui, certamente um dos grandes sentidos da vida.


Emane empatia, respeito e amor, talvez esse último como diria o Filósofo Luc Ferry, “o amor, seja o mais denso e absoluto dos sentimentos de hoje em dia”. Quem sabe assim cheios de amor nos conscientizamos que temos que nos cuidar e assim proteger o próximo, e sabendo que o outro compartilha da mesma centelha divina que minha, estaremos todos imbuídos por um sentimento de proteção mútua e valorização da vida enquanto tal.