Opinião

04 mar 21 | 11h14

Porque hoje em dia nossas relações parecem ser tão superficiais?

Porque hoje em dia nossas relações parecem ser tão superficiais?
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A fragilidade das interações digitais, permeiam as relações humanas, e fazem com que a superficialidade que tratamos qualquer tema, banalize nossas experiências reais?  


Vou deixar claro que se trata de uma analise, uma provocação sobre a temática.


Quantas vezes você se deparou com situações entristecedoras onde ficou claro que as pessoas tomaram partido e se posicionaram a partir de fragmentos de ideias, ou textos lidos às pressas sem entender o real conteúdo, a proposta, ou ainda, somente de ouvir falar sobre algum assunto.

Não precisa de muita argumentação, basta você olhar para a quantidade de fake News, que você recebe diariamente, seja via email, nas tuas mídias sociais, quando alguém te aborda com algum assunto que claramente não faz nem um sentido e você sabe que se trata de uma fake News. Tais “notícias falsas” advêm muito dessa omissão pela busca da compreensão real sobre o que está sendo proposto, ou a falta de uma análise profunda das fontes daquela informação.


Não estou dizendo que não temos que tomar partido nem emitir nossa opinião, pelo contrário, afinal as redes sociais deram voz e vez a todos de igual forma. Se for bem utilizada, essa ferramenta que é democrática, pode ser educadora, enriquecedora, gerar conhecimento e conteúdos riquíssimos ou pode ser desastrosa, danosa, de acordo com o intuito e conteúdo do que for divulgado, pois tudo que é postado, impacta alguém ou alguma instituição de forma positiva ou negativa.

Há um risco gigantesco incutido nas fake news, e com consequências desastrosas, pois disseminar informação falsa, além de ludibriar as pessoas sobre determinados assuntos, pode levar as pessoas a tomarem atitudes que saem do campo das ideias e se refletem em ações polarizadas ou violentas.

Mas vamos teorizar aqui, sobre os comportamentos superficiais das vivências humanas, para além das fake News.


Santo Agostinho. Teólogo e Filósofo, falava o seguinte. “ Não sacia a fome quem lambe pão pintado”.   

Poderíamos bem adaptar para nossa região, fazendo o trocadilho do pão pintado, pela bolacha pintada. Brincadeiras à parte, o fato é que você não vai matar a fome se lamber a tinta do pão, para se saciar a fome precisa comer o pão, ou seja se alimentar do que é concreto, real.  Viver só na superficialidade dos fatos não permite ser completamente feliz, pois aí você não consegue experienciar a totalidade de uma relação.


Existe uma teoria muito interessante, defendida por um sociólogo chamado Zygmout Bauman, sobre a sociedade líquida, que passa exatamente por esse conceito, as relações reais e concretas estão sendo substituídas pelas relações superficiais, assim como a água, instável e volátil, é a sociedade contemporânea, onde parece que nada é feito para durar. Talvez o fato do ser humano está perdendo o contato físico, não falar olhando nos olhos, percebendo as reações de um para o outro, contribuiu muito para essa realidade. Da perca das referências, dos valores e dos comportamentos que antes eram imutáveis ou mudavam de forma quase imperceptível. A impressão que temos é que nesse momento trocamos as amizades, os relacionamentos, os empregos, com a mesma facilidade que trocamos de roupa. Então podemos entender que essa realidade, passa muito pela própria estrutura social que vivemos.


Com o smartphone, tudo está na palma da mão, o trabalho, as relações, o lazer e entretenimento, tudo fácil demais, e isso nos distanciou e proporcionou uma espécie de acomodamento social. Se você quer comer um prato qualquer, basta abrir um aplicativo e escolher. Quer transar basta abrir um aplicativo e escolhe o parceiro. Quer conversar, basta abrir um aplicativo e fazer “um novo amigo’, tudo fácil demais. Mas é lógico que a tecnologia facilitou nossas vidas em alguma medida, gerando novas oportunidades de negócios entre outros benefícios. A internet ao mesmo tempo que nos uniu ao mundo de forma virtual, nos afastou fisicamente, na mesma medida.


Os valores atribuídos ao indivíduo se dão pelo número de curtidas, likes, comentários, twitts ou match que ele recebe. E não pelo conhecimento, pelos valores que ele cultiva e nem pelas experiências que ele traz consigo. Não lembramos que a foto postada no Instagram é sempre a melhor foto no melhor momento, é o “palco” da pessoa naquele instante. Mas qual o problema em postar nossos bons momentos ou ter um monte de amigos? Nem um, o problema é a comparação da nossa vida com a dos outros. Não devemos expor nossas experiências nas mídias sociais? Claro que sim, embora existam algumas autoridades em segurança pública que pedem cautela ao expor sua vida, ou tudo aquilo que você faz ou têm.


A questão é sempre a banalização e a falta de medida, são os exageros e claro os resultados dessa falta de equilíbrio, que se tornam um gerador de transtornos, obsessões e ansiedade pela dependência da aprovação alheia. Não posso achar que se eu postar um prato de comida e não tiver 500 curtidas a minha vida é uma droga ou ninguém se importa comigo. Sabemos que a aprovação social é um dos gatilhos mais poderosos que existe, temos o senso de pertencimento, fazer parte e um grupo é fundamental para nos sentirmos felizes e seguros. Mas se o prato que você postou tiver 2 curtidas, essas pessoas talvez se importem contigo de verdade, e está tudo bem.


Mas e aí, o que fazer? A internet é o mal da humanidade? Não, definitivamente. Não quero dar uma de conservador, até porque essa é a realidade da sociedade atual, a tecnologia é imparável, mas, nos cabe um exercício de auto policiamento , uma análise do como gerenciar nossas ações no âmbito digital, cito exemplos, ler todo o texto antes de emitir uma opinião, ter cautela no que se divulga, especialmente da sua vida particular, analisar o que os seus filhos consomem de conteúdo digital, respeitar a opinião do outros, valorizar e estimular a troca de ideias, buscar por conteúdos enriquecedores e principalmente desconfiar de tudo que tenha fontes duvidosas ou não tenha fonte alguma. E sabe os milhares de amigos que você tem no Facebook e Instagram, talvez eles sejam ou estejam tão solitários quanto você, por tanto saiba quem é teu amigo de verdade, com quem pode confiar, quem acordaria as 4h da manhã para te socorrer em alguma emergência? Quem te valoriza? Te ama e se importa realmente com a tua felicidade? Se você já tem essas respostas, sabe quem são essas pessoas, então, essas pessoas não merecem e não devem ser tratadas com superficialidades.

Adriel Gonçalves
Cotidiano

04 mar 21 | 11h14 Por Adriel Gonçalves

Porque hoje em dia nossas relações parecem ser tão superficiais?

Porque hoje em dia nossas relações parecem ser tão superficiais?


A fragilidade das interações digitais, permeiam as relações humanas, e fazem com que a superficialidade que tratamos qualquer tema, banalize nossas experiências reais?  


Vou deixar claro que se trata de uma analise, uma provocação sobre a temática.


Quantas vezes você se deparou com situações entristecedoras onde ficou claro que as pessoas tomaram partido e se posicionaram a partir de fragmentos de ideias, ou textos lidos às pressas sem entender o real conteúdo, a proposta, ou ainda, somente de ouvir falar sobre algum assunto.

Não precisa de muita argumentação, basta você olhar para a quantidade de fake News, que você recebe diariamente, seja via email, nas tuas mídias sociais, quando alguém te aborda com algum assunto que claramente não faz nem um sentido e você sabe que se trata de uma fake News. Tais “notícias falsas” advêm muito dessa omissão pela busca da compreensão real sobre o que está sendo proposto, ou a falta de uma análise profunda das fontes daquela informação.


Não estou dizendo que não temos que tomar partido nem emitir nossa opinião, pelo contrário, afinal as redes sociais deram voz e vez a todos de igual forma. Se for bem utilizada, essa ferramenta que é democrática, pode ser educadora, enriquecedora, gerar conhecimento e conteúdos riquíssimos ou pode ser desastrosa, danosa, de acordo com o intuito e conteúdo do que for divulgado, pois tudo que é postado, impacta alguém ou alguma instituição de forma positiva ou negativa.

Há um risco gigantesco incutido nas fake news, e com consequências desastrosas, pois disseminar informação falsa, além de ludibriar as pessoas sobre determinados assuntos, pode levar as pessoas a tomarem atitudes que saem do campo das ideias e se refletem em ações polarizadas ou violentas.

Mas vamos teorizar aqui, sobre os comportamentos superficiais das vivências humanas, para além das fake News.


Santo Agostinho. Teólogo e Filósofo, falava o seguinte. “ Não sacia a fome quem lambe pão pintado”.   

Poderíamos bem adaptar para nossa região, fazendo o trocadilho do pão pintado, pela bolacha pintada. Brincadeiras à parte, o fato é que você não vai matar a fome se lamber a tinta do pão, para se saciar a fome precisa comer o pão, ou seja se alimentar do que é concreto, real.  Viver só na superficialidade dos fatos não permite ser completamente feliz, pois aí você não consegue experienciar a totalidade de uma relação.


Existe uma teoria muito interessante, defendida por um sociólogo chamado Zygmout Bauman, sobre a sociedade líquida, que passa exatamente por esse conceito, as relações reais e concretas estão sendo substituídas pelas relações superficiais, assim como a água, instável e volátil, é a sociedade contemporânea, onde parece que nada é feito para durar. Talvez o fato do ser humano está perdendo o contato físico, não falar olhando nos olhos, percebendo as reações de um para o outro, contribuiu muito para essa realidade. Da perca das referências, dos valores e dos comportamentos que antes eram imutáveis ou mudavam de forma quase imperceptível. A impressão que temos é que nesse momento trocamos as amizades, os relacionamentos, os empregos, com a mesma facilidade que trocamos de roupa. Então podemos entender que essa realidade, passa muito pela própria estrutura social que vivemos.


Com o smartphone, tudo está na palma da mão, o trabalho, as relações, o lazer e entretenimento, tudo fácil demais, e isso nos distanciou e proporcionou uma espécie de acomodamento social. Se você quer comer um prato qualquer, basta abrir um aplicativo e escolher. Quer transar basta abrir um aplicativo e escolhe o parceiro. Quer conversar, basta abrir um aplicativo e fazer “um novo amigo’, tudo fácil demais. Mas é lógico que a tecnologia facilitou nossas vidas em alguma medida, gerando novas oportunidades de negócios entre outros benefícios. A internet ao mesmo tempo que nos uniu ao mundo de forma virtual, nos afastou fisicamente, na mesma medida.


Os valores atribuídos ao indivíduo se dão pelo número de curtidas, likes, comentários, twitts ou match que ele recebe. E não pelo conhecimento, pelos valores que ele cultiva e nem pelas experiências que ele traz consigo. Não lembramos que a foto postada no Instagram é sempre a melhor foto no melhor momento, é o “palco” da pessoa naquele instante. Mas qual o problema em postar nossos bons momentos ou ter um monte de amigos? Nem um, o problema é a comparação da nossa vida com a dos outros. Não devemos expor nossas experiências nas mídias sociais? Claro que sim, embora existam algumas autoridades em segurança pública que pedem cautela ao expor sua vida, ou tudo aquilo que você faz ou têm.


A questão é sempre a banalização e a falta de medida, são os exageros e claro os resultados dessa falta de equilíbrio, que se tornam um gerador de transtornos, obsessões e ansiedade pela dependência da aprovação alheia. Não posso achar que se eu postar um prato de comida e não tiver 500 curtidas a minha vida é uma droga ou ninguém se importa comigo. Sabemos que a aprovação social é um dos gatilhos mais poderosos que existe, temos o senso de pertencimento, fazer parte e um grupo é fundamental para nos sentirmos felizes e seguros. Mas se o prato que você postou tiver 2 curtidas, essas pessoas talvez se importem contigo de verdade, e está tudo bem.


Mas e aí, o que fazer? A internet é o mal da humanidade? Não, definitivamente. Não quero dar uma de conservador, até porque essa é a realidade da sociedade atual, a tecnologia é imparável, mas, nos cabe um exercício de auto policiamento , uma análise do como gerenciar nossas ações no âmbito digital, cito exemplos, ler todo o texto antes de emitir uma opinião, ter cautela no que se divulga, especialmente da sua vida particular, analisar o que os seus filhos consomem de conteúdo digital, respeitar a opinião do outros, valorizar e estimular a troca de ideias, buscar por conteúdos enriquecedores e principalmente desconfiar de tudo que tenha fontes duvidosas ou não tenha fonte alguma. E sabe os milhares de amigos que você tem no Facebook e Instagram, talvez eles sejam ou estejam tão solitários quanto você, por tanto saiba quem é teu amigo de verdade, com quem pode confiar, quem acordaria as 4h da manhã para te socorrer em alguma emergência? Quem te valoriza? Te ama e se importa realmente com a tua felicidade? Se você já tem essas respostas, sabe quem são essas pessoas, então, essas pessoas não merecem e não devem ser tratadas com superficialidades.