Momento Agro

09 ago 19 | 16h40 Por Jocimar Soares

Ação da BRF sobe 7% após balanço informar lucro inesperado

Analistas esperavam prejuízo, mas peste suína na China teve impacto positivo no resultado da empresa.

Ação da BRF sobe 7% após balanço informar lucro inesperado
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As ações da Brasil Foods (BRF), maior exportadora de frangos do mundo e dona das marcas Sadia e Perdigão, subiam 7,65% às 10:32 desta sexta-feira (9).


A alta foi observada logo após a divulgação do balanço, que apresentou lucro líquido de 191 milhões de reais entre abril e junho deste ano, enquanto especialistas esperavam prejuízo. Já a receita líquida foi de 8,338 bilhões de reais – alta de 18% comparado ao mesmo período do ano passado.


O resultado foi classificado como “muito positivo” pelo analista Antonio Barreto, do Itaú BBA, em relatório enviado a clientes.


O grande destaque para o aumento das receitas ficou por conta da peste suína, que atacou fortemente os rebanhos chineses. Estimativas do mercado, apresentadas no balanço, apontam que a China deve reduzir entre 25% e 35% a produção de carne suína em 2019 e 2020.


Com a diminuição da produção chinesa, dispararam o volume de importação de suínos e o preço do produto no país asiático. A BRF informou que, em comparação ao 2º trimestre de 2018, “a companhia praticamente dobrou o volume de exportações para o país, com os preços em dólares subindo 56,1%”.


No mercado brasileiro, as receitas da BRF aumentaram 11%, impulsionadas pela alta de 9,2% nos preços de alimentos processados e 31,2% nos preços do produto in natura. No segmento halal (voltado para a cultura islâmica), a empresa teve alta de 12,5% na receita líquida em relação ao mesmo período de 2018.


Outro bom resultado apresentado no balanço foi a alta do lucro operacional, que fez com que a dívida líquida caísse de 5,6 vezes para 3,7 vezes o valor da Ebtida (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação). A analista de commodities da XP Investimentos estima que essa proporção caia para 3,65 vezes e 2,65 vezes no fim de 2019 e 2020, respectivamente.


Na véspera da divulgação do balanço, a ação da BRF subiu 4,94%. A última vez que os papeis da empresa fecharam em queda foi na segunda-feira, dia em que a moeda chinesa ultrapassou a marca de 7 por dólar.


Até ontem (8), as ações da BRF subiam 65,62% no ano.


Em boletim divulgado pela Guide Investimentos, o estrategista da corretora Luis Gustavo Pereira vê os resultados com bons olhos por conta da expansão do preço médio de venda e o melhor desempenho comercial e operacional. “Seguimos confiantes no case de BRF e esperamos uma manutenção nos bons resultados para o segundo semestre de 2019 e 2020”.


Passado que condena


Apesar do otimismo do mercado, a empresa já reconheceu ter problemas de execução e o futuro da BRF ainda possui incertezas.


Nos últimos anos, a companhia se afogou em crises envolvendo desde conflitos entre sócios até investigações da Polícia Federal sobre fraudes no controle de qualidade, que originaram a Operação Trapaça.


Recentemente, a BRF tentou uma fusão com a Marfrig para tentar reduzir de forma mais rápida a dívida que girava em torno de 22 bilhões de reais, cerca de 7 vezes o lucro operacional da época. As negociações, entretanto, foram encerradas porque o fundador e maior acionista da Marfrig, Marcos Molina, não aceitou a repartição da nova empresa, segundo o que fontes próximas à operação relataram à Exame. Na divisão, a BRF ficaria com 85% das participações e a Marfrig com 15%.


Concorrência


Na manhã desta sexta-feira, as ações da concorrente JBS também subiam, e até às 12:20 já acumulavam alta de 3,13%. No ano, os papéis já subiram 131%. A empresa vai anunciar o balanço do 2º trimestre na próxima sexta-feira (16).


Já a Marfrig operava em alta de 1% por volta desse mesmo horário. As ações da companhia vêm de seis dias de altas consecutivas. Na terça-feira, o ativo subiu 7,41%, após a Marfrig anunciar parceira com a Archer Daniels Midland para comercializar carnes feitas com produtos de origem vegetal. O papel da empresa acumulava, até ontem (8), rentabilidade de 40,66% no ano.


(Fonte: Revista Exame)

09 ago 19 | 16h40 Por Jocimar Soares

Ação da BRF sobe 7% após balanço informar lucro inesperado

Analistas esperavam prejuízo, mas peste suína na China teve impacto positivo no resultado da empresa.

Ação da BRF sobe 7% após balanço informar lucro inesperado

As ações da Brasil Foods (BRF), maior exportadora de frangos do mundo e dona das marcas Sadia e Perdigão, subiam 7,65% às 10:32 desta sexta-feira (9).


A alta foi observada logo após a divulgação do balanço, que apresentou lucro líquido de 191 milhões de reais entre abril e junho deste ano, enquanto especialistas esperavam prejuízo. Já a receita líquida foi de 8,338 bilhões de reais – alta de 18% comparado ao mesmo período do ano passado.


O resultado foi classificado como “muito positivo” pelo analista Antonio Barreto, do Itaú BBA, em relatório enviado a clientes.


O grande destaque para o aumento das receitas ficou por conta da peste suína, que atacou fortemente os rebanhos chineses. Estimativas do mercado, apresentadas no balanço, apontam que a China deve reduzir entre 25% e 35% a produção de carne suína em 2019 e 2020.


Com a diminuição da produção chinesa, dispararam o volume de importação de suínos e o preço do produto no país asiático. A BRF informou que, em comparação ao 2º trimestre de 2018, “a companhia praticamente dobrou o volume de exportações para o país, com os preços em dólares subindo 56,1%”.


No mercado brasileiro, as receitas da BRF aumentaram 11%, impulsionadas pela alta de 9,2% nos preços de alimentos processados e 31,2% nos preços do produto in natura. No segmento halal (voltado para a cultura islâmica), a empresa teve alta de 12,5% na receita líquida em relação ao mesmo período de 2018.


Outro bom resultado apresentado no balanço foi a alta do lucro operacional, que fez com que a dívida líquida caísse de 5,6 vezes para 3,7 vezes o valor da Ebtida (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação). A analista de commodities da XP Investimentos estima que essa proporção caia para 3,65 vezes e 2,65 vezes no fim de 2019 e 2020, respectivamente.


Na véspera da divulgação do balanço, a ação da BRF subiu 4,94%. A última vez que os papeis da empresa fecharam em queda foi na segunda-feira, dia em que a moeda chinesa ultrapassou a marca de 7 por dólar.


Até ontem (8), as ações da BRF subiam 65,62% no ano.


Em boletim divulgado pela Guide Investimentos, o estrategista da corretora Luis Gustavo Pereira vê os resultados com bons olhos por conta da expansão do preço médio de venda e o melhor desempenho comercial e operacional. “Seguimos confiantes no case de BRF e esperamos uma manutenção nos bons resultados para o segundo semestre de 2019 e 2020”.


Passado que condena


Apesar do otimismo do mercado, a empresa já reconheceu ter problemas de execução e o futuro da BRF ainda possui incertezas.


Nos últimos anos, a companhia se afogou em crises envolvendo desde conflitos entre sócios até investigações da Polícia Federal sobre fraudes no controle de qualidade, que originaram a Operação Trapaça.


Recentemente, a BRF tentou uma fusão com a Marfrig para tentar reduzir de forma mais rápida a dívida que girava em torno de 22 bilhões de reais, cerca de 7 vezes o lucro operacional da época. As negociações, entretanto, foram encerradas porque o fundador e maior acionista da Marfrig, Marcos Molina, não aceitou a repartição da nova empresa, segundo o que fontes próximas à operação relataram à Exame. Na divisão, a BRF ficaria com 85% das participações e a Marfrig com 15%.


Concorrência


Na manhã desta sexta-feira, as ações da concorrente JBS também subiam, e até às 12:20 já acumulavam alta de 3,13%. No ano, os papéis já subiram 131%. A empresa vai anunciar o balanço do 2º trimestre na próxima sexta-feira (16).


Já a Marfrig operava em alta de 1% por volta desse mesmo horário. As ações da companhia vêm de seis dias de altas consecutivas. Na terça-feira, o ativo subiu 7,41%, após a Marfrig anunciar parceira com a Archer Daniels Midland para comercializar carnes feitas com produtos de origem vegetal. O papel da empresa acumulava, até ontem (8), rentabilidade de 40,66% no ano.


(Fonte: Revista Exame)